CRÍTICA: "O Escolhido", nova série brasileira da Netflix - Eaí, assistiu? - Tudo sobre séries e filmes
  • CRÍTICA: "O Escolhido", nova série brasileira da Netflix


    Na última sexta-feira (28 de junho) a Netflix estreou sua mais nova série brasileira, O Escolhido, roteirizada por Raphael Dracon e Carolina Munhoz.

    O Escolhido é uma das melhores estreias nacionais do serviço de streaming pela proposta que apresenta ao público: o embate entre ciência e fé.

    A trama acompanha três médicos que vão a um vilarejo longínquo no Pantanal com o objetivo de administrar uma vacina obrigatória contra uma mutação do vírus Zika. Quando chegam ao lugar, chamado Águazul, eles se deparam com um culto a um homem chamado “Escolhido”, que promove curas através de uma água azulada, dai vem o nome do lugar.

    Com uma história interessante e repleta de referencias  brasileiras, como o cenário, figuras folclóricas e linguagem, a série consegue prender a atenção do espectador com o mistério que cerca a figura do personagem principal, o "curandeiro idolatrado". Além disso, consegue trazer à discussão temas como o machismo, o racismo, abandono de comunidades mais distantes, e claro, o foco central da trama: a questão da fé.

    A proposta de uma série de fantasia e ficção é clara desde o primeiro episódio, porém como a trama se desenvolve pode ser cansativa e confusa para aqueles que não são familiarizados com o gênero. A ousadia do roteiro em trazer essa áurea sobrenatural para o Pantanal é atraente, mas o ritmo acaba atrapalhando todo o potencial que tem.

    O Escolhido


    O Escolhido peca também em não explorar tão bem seus protagonistas. Lúcia, interpretada por Paloma Bernardi, têm sua história narrada de forma clara e objetiva, com flashbacks que buscam justificar suas motivações, apesar de algumas atitudes serem questionáveis. O mesmo não pode se afirmar sobre os personagens de Damião (Pedro Caetano) e Enzo (Gutto Szuster), que apesar de compor o trio principal, tem suas narrativas perdidas, ficando para trás.

    A narrativa também não faz muito suspense quanto a figura do Escolhido (Renan Tenca) o que é bom. Entretanto, a falta de sutileza e vontade de instigar o espectador no personagem milagroso reflete a sensação de que algo está faltando.

    O Escolhido / Netflix

    Apesar das "brechas", a cena final deixa um gancho expressivo a ser explorado em uma próxima temporada. O resultado final acaba sendo positivo para quem se sentir engajado nos mistérios do enredo e se propuser a abraçar a ideia.

    Para o segundo ano, a expectativa é de que O Escolhido adentre a fundo nos mistérios das matas pantaneiras e explore mais seus personagens, principalmente o protagonista.

    Bendito seja o Escolhido, e que novos episódios sejam anunciados em breve!